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Produtos químicos: quais os riscos para a sua saúde e meio ambiente?

Não há como negar a importância das substâncias químicas (naturais ou produzidas artificialmente pelo homem) para o dia a dia da sociedade, principalmente pela sua capacidade de transformar-se, por intermédio da indústria, nos mais diversos produtos, com funções que vão desde a simples limpeza de uma residência ou estabelecimento até como o de um motor impulsionador do segmento industrial.

Com relação à indústria, especificamente, os produtos químicos, além de impulsionarem esse setor (ajudando a gerar milhões de empregos), ainda atuam de forma indireta, já que são utilizados na agropecuária, construção civil, setor naval, refinarias, sem contar o setor de logística, que se beneficia da manipulação dos hidrocarbonetos, que são usados como combustíveis.

Criados na Alemanha, no final dos anos 70, os “selos verdes” são umas das principais garantias de que um produto não foi fabricado com substâncias perigosas.

O problema surge quando tais produtos são descartados incorretamente na natureza. Gases tóxicos, rejeitos líquidos, resíduos sólidos, entre outros, são responsáveis por uma série de transtornos ao meio ambiente, como destruição da camada de ozônio, poluição dos recursos hídricos, contaminação do solo, além do temível— apesar de controverso — “aquecimento global”.

Com o intuito de minimizar os impactos desses produtos no meio ambiente, muitas empresas têm adotado o sistema conhecido como “substituição”, que consiste em utilizar uma outra substância no lugar de um produto químico reconhecidamente prejudicial ou substituir a tecnologia empregada em sua produção.

Outro artifício que vem ganhando força na luta contra a degradação do meio ambiente são os chamados “selos verdes”, espécies de rótulos (geralmente de iniciativa da própria empresa) contendo informações sobre determinado produto (do ponto de vista do impacto ambiental que podem causar), e que o diferenciam de outros pela sua conformidade com as novas exigências de sustentabilidade.

O selo garante que o produto foi produzido com tecnologia capaz de torná-lo menos danoso ao meio ambiente, utilizando-se, para isso, de matérias-primas alternativas ou tecnologias que amenizam o seu potencial de agressividade.

Basicamente, dividem-se em:

  • Selo verde tipo 1 – Garante que determinada empresa cumpre as exigências de sustentabilidade, além de demonstrar o ciclo de vida do produto: produção, consumo e descarte, da forma mais segura e com menos impacto possível ao meio ambiente.
  • Selo verde tipo 2 – Símbolos, textos e design gráfico determinam a conformidade do produto com as regras de sustentabilidade. Eles podem garantir que o produto foi produzido com material reciclado, não possui substâncias químicas que agridem o meio ambiente, é capaz de reduzir o consumo de energia elétrica, entre várias outras características que podem diferenciá-lo dos seus concorrentes.

Quais os riscos dos produtos químicos?

Muitos não se dão conta, mas em seu dia a dia costumam manipular verdadeiras armadilhas na forma de inofensivos produtos químicos, utilizados na limpeza de ambientes, purificação do ar, extermínio de insetos e parasitas, entre outras utilidades.

Uma mistura aparentemente inofensiva de sabão em pó, água sanitária e amônio, por exemplo, quando utilizada como material de limpeza em cômodos da casa onde não há uma boa circulação de ar, pode ocasionar diversos transtornos para a saúde durante a sua aplicação, como: náuseas, tonturas, falta de ar, irritação nos olhos, entre outras consequências.

Essas consequências são fruto de uma reação química que ocorre entre os seus componentes, e que libera uma fumaça altamente tóxica.

Na indústria têxtil, os trabalhadores são expostos diariamente a vários tipos de corantes, alvejantes e demais substâncias químicas, que podem resultar em problemas na pele, nos olhos, vias respiratórias, entre outros órgãos do corpo.

Outros vilões da saúde humana são os solventes, muito comuns nas indústrias — mas também estão presentes ao ar livre, pois são emitidos pelos escapamentos dos automóveis, por exemplo —, e que podem causar vários danos às vias respiratórias, pele, visão etc. Um caso clássico é o contato prolongado com o benzeno (muito comum na indústria de plásticos), que pode danificar a medula óssea de forma irreversível.

Devido às suas características, alguns produtos de limpeza podem reagir uns com os outros e produzir um gás altamente tóxico.

O ar também pode transformar-se em um ambiente de risco para a saúde humana, nos casos de contaminação por pesticidas utilizados na lavoura, ou mesmo no combate às pragas em residências, pela sua alta capacidade de espalhar-se até grandes distâncias. Também não são incomuns os casos de suicídio pela ingestão dessa substância.

Já alimentação pode ser comprometida pela contaminação dos recursos hídricos com substâncias como o metilmercúrio, por exemplo, que tornam os peixes e demais frutos do mar impróprios para o consumo humano. Também os produtos oriundos da lavoura e as carnes, pelas suas características, são facilmente contaminados por pesticidas e demais agrotóxicos.

Acidentes com reservatórios de água podem levar à sua contaminação por arsênio, nitrito, mercúrio, além de vários metais pesados, que, ingeridos ou em contato com o corpo por um longo tempo, podem causar câncer de pele, necrose dos tecidos afetados, danos ao sistema nervoso, entre vários outros traumas.

Também é comum a contaminação de todo um ecossistema devido à explosão ou incêndio de galpões, fábricas, caminhões para transporte de produtos químicos, entre outros. Isso geralmente ocorre pela falta ou deficiência de treinamento ou capacitação dos profissionais, mas também pela negligência quanto à manipulação desses produtos.

Quais os principais riscos dos produtos químicos para o meio ambiente?

Os perigos relacionados aos produtos químicos estão mais associados a uma manipulação incorreta e, principalmente, ao seu descarte irresponsável.

Nesse sentido, os danos podem ocorrer de várias formas:

1. Contaminação dos recursos hídricos

Os recursos hídricos são afetados pelos produtos químicos. Quando há um lançamento inadequado de rejeitos líquidos industriais e residenciais contendo metais pesados, materiais orgânicos sintéticos, hidrocarbonetos, pesticidas, entre outras substâncias tóxicas, a depender da quantidade e da periodicidade com que são descartadas, podem tornar ecossistemas como rios, lagos, lagoas, mananciais, etc., totalmente impróprios para o consumo humano.

2. Destruição da vida aquática

Este também é o resultado do descarte incorreto de rejeitos industriais, e que pode resultar no acúmulo de substâncias tóxicas, nitrogênio, fósforo, entre outros compostos, em ambientes aquáticos.

Nesse último caso, a consequência principal é o crescimento desordenado de algumas espécies de algas, capazes de comprometer o nível de oxigenação do ambiente e causar a extinção de diversas espécies marinhas.

3. Efeitos sobre a vegetação

Substâncias como dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio, ozônio, além de várias outras semelhantes, podem ser encontradas em altíssimas concentrações na atmosfera. Quem acaba sofrendo com as consequências dessa poluição são as vegetações, que podem absorver grandes quantidades desses poluentes, tornando-se impróprias para o consumo ou simplesmente ter o seu crescimento inibido.

4. Destruição da camada de ozônio

A camada de ozônio (O3) é responsável, entre outras coisas, pela proteção da superfície terrestre dos raios ultravioletas (UV) que, em grande quantidade, tornariam inviável a vida no planeta. Em condições normais essa proteção é gerada e eliminada espontaneamente, sem que isso interfira na sua capacidade de proteger a terra.

O problema é que ela vem sendo bombardeada há décadas pelos mais diversos gases tóxicos lançados diariamente para a atmosfera, diminuindo a proteção do planeta contra os raios UV, além de causar transtornos como câncer de pele, distúrbios no sistema imunológico, desequilíbrio de ecossistemas e ser um dos responsáveis pelo suposto “aquecimento global”.

A camada de ozônio (O3) é responsável, entre outras coisas, por proteger a superfície terrestre dos raios ultravioletas (UV), mas é constantemente ameaçada pela emissão de gases tóxicos.

5. Efeito estufa

Substâncias como óxido nitroso (N2O), dióxido de carbono (CO2), perfluorcarbonetos (PFC), metano (CH4), entre outras, são gases que, na atmosfera, trabalham para manter a Terra aquecida — pois absorvem a radiação solar e impedem que ela seja totalmente refletida para o espaço.

No entanto, as altas concentrações dessas substâncias, provocadas, entre outras coisas, pelas atividades humanas geradoras dos mais diversos produtos químicos, podem causar um aumento excessivo da temperatura do planeta — o que popularmente é chamado de “efeito estufa”.

Porque armazenar produtos químicos é tão perigoso?

Os produtos químicos, devido às suas características, podem ser extremamente perigosos, não apenas quando manipulados, mas também durante o seu armazenamento.

Como são compostos por elementos químicos, podem reagir violentamente quando há um contato entre substâncias incompatíveis, calor excessivo ou excesso de luminosidade.

Logo, o recomendado é que o seu armazenamento leve em consideração a incompatibilidade das substâncias de que são compostos (tóxicos, altamente inflamáveis, explosivos, radioativos etc.), e não apenas pela sua destinação, função ou simplesmente conferindo-lhes um número de série.

Isso por que um armazenamento incorreto pode resultar em:

1. Explosões

Como já foi visto, a maioria dos produtos químicos é inflamável e por isso eles devem ser acondicionados em locais ventilados e protegidos dos raios solares e demais fontes de calor. Produtos embalados em tambores sob pressão, por exemplo, são altamente explosivos. Bastará apenas o seu contato contínuo com temperaturas elevadas para que um acidente de proporções incalculáveis ocorra.

2. Intoxicação de crianças

Ocorrências das mais comuns, e que tem os produtos de origem química como um dos principais causadores, são os envenenamentos acidentais — principalmente de crianças, que acabam sendo vítimas da negligência quanto ao correto armazenamento dessas substâncias.

Produtos como álcool, detergentes, desinfetantes, água sanitária, venenos, entre outras substâncias semelhantes, devem ser guardados em local de difícil acesso, e com os seus rótulos em perfeito estado de conservação.

3. Inalação acidental

A simples combinação de substâncias como amônia, cloro e água sanitária pode resultar na formação de um gás tóxico, capaz de causar irritação nos olhos e vias respiratórias, náuseas, tonturas, vertigens, entre outros sintomas.

Logo, o recomendado é que os produtos sejam mantidos bem fechados e em um lugar seco e ventilado. E caso haja um derramamento acidental dessas substâncias, é preciso lavar e secar o local imediatamente. Isso evitará que o ambiente se torne tóxico.

Para a correta armazenagem de produtos químicos o recomendado é separá-los por incompatibilidade: inflamáveis, explosivos, nocivos à saúde, entre outros.

4. Queimaduras

O correto armazenamento de determinados produtos também pode evitar queimaduras de 2º e 3º graus.

Amoníaco, derivados de petróleo, descolorantes, lixívia, entre outros, devem ser guardados em recipientes devidamente rotulados e, de preferência, em um local trancado.

Cuidados que se deve ter com produtos químicos

A NBR 14725-2, de 08/2009, é a norma responsável por determinar os critérios que devem ser levados em consideração para a classificação dos riscos oferecidos por cada grupo de produtos químicos. O seu objetivo é oferecer subsídios para que as pessoas possam manipular corretamente tais substâncias, e não as transformem em risco para si e para o meio ambiente.

Com base nesses critérios, segue uma lista com 5 cuidados essenciais que se deve ter durante a manipulação de produtos de origem química:

1. Mantenha-os em um local isolado

Essa recomendação é muito importante, principalmente para famílias com crianças pequenas, pois estas são as principais vítimas de substâncias perigosas armazenadas incorretamente.

O ideal é que produtos como alvejantes, sabão em pó, pesticidas, inseticidas, amoníaco, álcool, entre outros, tenham um lugar reservado só para eles, e que seja seco, arejado e vedado.

2. Utilize equipamentos de segurança

Sempre que for manipular produtos de origem química recomenda-se o uso de equipamentos de segurança: luvas de borracha, avental, óculos de proteção e máscaras. Havendo a necessidade de realizar misturas ou dividi-los em partes, é necessário que o outro recipiente utilizado seja específico para eles e devidamente rotulado.

3. Leia o rótulo atentamente

Isso por que os rótulos dos produtos químicos contêm, de acordo com o que determina a NBR 14725-3:

  • Identificação do produto e telefone de emergência do fornecedor;
  • Composição química;
  • Pictogramas de perigo;
  • Palavra de advertência;
  • Frases de perigo;
  • Frases de precaução;
  • Outras informações.

4. Descarte-os de forma correta

Esse descarte deve ser feito de acordo com os critérios preestabelecidos pela Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), pois a sua inobservância pode resultar em advertência, multas e até prisão.

De acordo com o art. 56, é passível de multa entre R$ 500,00 e R$ 2.000.000, 00 de reais aquele que “Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou em seus regulamentos”.

5. Lave sempre as mãos

Por fim, mas não menos importante, recomenda-se lavar as mãos com água e sabão logo após manipular qualquer tipo de produto químico. A maioria deles é corrosiva e pode causar queimaduras e lesões gravíssimas.

Apesar de ainda insubstituíveis como motor de uma sociedade moderna, os produtos químicos podem oferecer diversos riscos à saúde.

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